Sempre achei que se a vida me iria
correr bem caso fosse o mais honesto possível para com os outros. No
entanto, e para ingenuidade
minha, tal pensamento não poderia estar
mais errado. Sempre me coloquei em segundo plano,
ofereci o meu apoio em demasia para os que me rodeavam, preocupei-me e
ajudei sempre no que parecia estar a meu alcance. Deixei, vezes sem
conta, as minhas emoções e problemas quotidianos de parte, como se
não existissem.
Talvez tais pessoas tivessem razão ao
dizer que esta minha maneira de agir revelava falta de confiança
para com eles. Se isto é verdade, só gostava que eles soubessem que
me custa falar sobre o que comigo se passava, pois existem alturas de
limite, e eu confesso que estava particularmente farto de ver outros
usarem os meus próprios problemas para me atacarem e rebaixarem. E,
ao mesmo tempo, não me queria prender em demasia porque
eventualmente, mais cedo ou mais tarde, as pessoas acabam por partir.
No entanto, cometi o mesmo erro e
decidi arriscar uma vez mais. Admito que durante um ano e uns quantos
poucos meses vivi grandes dias, ao lado de pessoas com as quais amava
estar, que aos poucos ia deixando fazer parte do “meu mundo”.
Mas, e como nem tudo na vida é um mar de rosas, e por mais uma vez,
todos partiram. Más interpretações, confusões sem sentido, não
importa o que se passou ao certo. Para mim apenas importa o facto de
todos terem prometido nunca desistir, e arranjar sempre uma solução.
Contudo, e mais uma vez, que ingenuidade a minha.
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